terça-feira, 14 de agosto de 2012

UMA JANELA, UMA FLOR E UM SONHO


  • Numa milenar aldeia libanesa,

    na montanha, bem no altão,

    ficava a modesta casa,

    que para quem a habitava,

    era melhor que uma mansão.

    Abrigava uma gente que muito peleava,

    que da janela assistia a guerra,

    mas que lá dentro vivia em paz,

    que sentia a usurpação,

    mas ainda assim partilhava o pão,

    que temia a crueldade,

    mas que mantinha a bondade.

    E assim viviam,

    o pai no pastoreio,

    a mãe no asseio,

    o único filho em um decidido devaneio,

    o de tudo largar,

    de imigrar,

    esperançoso falava aos pais:

    - Vou pra América,

    mas volto para buscá-los.

    E foi.

    Daquele dia em diante,

    a mãe a janela nunca mais fechou,

    na esperança de que o filho,

    quando retornasse,

    já de longe a avistasse,

    e sentisse,

    que em seu humilde lar,

    o sol nunca deixou de brilhar.

    Bem embaixo da janela a mãe plantou,

    um pé de flor vermelha,

    para que o filho,

    ao chegar a apanhasse,

    e com um sorriso lhe presenteasse,

    O pé cresceu,

    atingiu a altura da janela,

    ali a flor vermelha desabrochou,

    a guerra já terminou,

    o pastor se cansou,

    e o filho não voltou.


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